quarta-feira, janeiro 6

A Amante

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Sua sanidade nunca foi posta a prova.

Repousa em sua tez e colo de Vênus, uma sobriedade digna das senhoritas mais puritanas.
De tanta desfaçatez decidiu-se por ser atriz.
Pena o material com que trabalhe os atores seja a verdade e não a dissimulação.
Lá se fora seu estratagema. Decidiu então ser amante. Logrou êxito.
Verdade seja bem dita que o “caso” que escolheu era curioso.
Um jovem varão de lar conturbado, ávido por uma família, por algum consolo na vida.
E como todo autômato de ser moral/cristão, interessado num flerte com o demônio.
Nossa não atriz aproveitou-se também por ele ser artista. Desses estereótipos mesmo.
Dos que bebe até amanhecer o dia, fuma maconha na própria casa, compõe, enebria...
Nem importava se não era lá muito bonito, mais um fetiche.
Decidiu que seria seu aquele Quasimodo.

Mônica sempre foi muito esperta!

Foram meses com aquele Feio-Varão-Artista. Sem que sua mulher soubesse.
Mônica fingia ajustar o tempo aos anseios dele. Nas escadas, na cozinha, na sala com os pais, nos quartos, sob céu estrelado, sobre asfalto quente. Ela ameaçou por várias vezes ir até sua mulher, fazer um escândalo. Contou para os amigos em comum fazendo assim a suposta traição dele, voar no vento para todos os cantos transformando-se em correntes, prendendo-o, alicerçando uma relação que já podia ser descrita como um raro Dali.

Mônica sempre foi muito esperta!

Tantas intempéries decantaram no mais improvável dos desfechos. Nada aconteceu. Misteriosamente, a mulher dona do Homem Feio, nunca soube de Mônica e sua relação com seu consorte. O rompante acabou. Mônica não mais procurou o Feio Varão. Há quem diga que o homem se arrependera e fugiu para sua segura Pasárgada protegida de solavancos. Há quem diga que Mônica cansou de viver sendo tida como meretriz, amarrada pelo rótulo de “outra”.
Quem sabe?

Hoje Mônica é uma senhora respeitável. Segue os ensinamentos da mãe de seu cônjuge. O tem em rédeas que apertam e moldam da forma como ela bem quer. Num olhar rápido, talvez fique claro que sempre desejou isso, a estabilidade. Numa análise com mais perfídia, talvez transpareça que ela aperta este novo homem até que exploda e escorra por seus dedos sua integridade e virilidade...
Quem sabe?

Mônica sempre foi muito esperta!



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Um comentário:

Anônimo disse...

Mônica aproveitou o momento. Duvido ela ter se arrependido...ela sempre foi muito Ixxxperta.