sexta-feira, janeiro 8

Senhorita Haze

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Cada uma das mulheres que me permitiram um afago provoca agora e adiante uma vontade metamórfica de escrever palavras das mais diferentes possíveis. Cada uma de minhas lembranças, que não são muitas pelo labirinto que é minha memória, cada uma delas, provoca-me a descrever de forma única, assim como a experiência vivenciada. Por mais que as vezes pareça ser tudo uma grande repetição, ou um contínuo devir, ou um eterno retorno, nunca o é exatamente.

 Tízia diz ter me visto numa foto de jornal antigo que seu ex-namorado a mostrara. Apontava ele para um caderno cultural, a tentar marcar um encontro para os dois, mas Tízia parou na minha foto que estava perdida ali. De provável que fora algum jornalista propenso a matérias inusitadas para me dar um espaço em significante folhetim. Agradeço-o aqui já que nunca o fiz. Bem ou mal, lá estava eu. Lá estava Tízia.
Minha primeira lembrança dela, no entanto, é menos notícia e mais alegoria. Caminhava eu pelas ruas da minha terra, despreocupado, do jeito descuidado que nos deixa o pôr do Sol. Trocava as pernas pelo meio fio com veículos assassinos a me raspar o corpo. Algo sopra no meu ouvido (Duende ou fada, depende da entonação e da substância ingerida... Não lembro) viro e numa sacada ao longe estava ela. Linda. Magra como um gafanhoto, nariguda, cabelos escovados, não mais que 17 anos.

Que menina de Nabokov: Mexia e sorria. Procurou-me e aceitou meu cortejar. Permitiu que eu fosse conquistando seus terrenos mais íntimos, provocando cócegas de corpo inteiro. Contou para as amigas próximas sobre o menino mais velho, o mais sem vergonha, o mais libertino de se viver. Era um presente toda aquela vida de pinto que ainda não sabe se apoiar nas patas finas.

Que menina de Kubrick: Decidiu me comer sem os dentes. Me devorou no meu próprio Templo. Vivíamos paralém das proibições, mas também, paralém dos sonhos. Ela quis deixar de me ver na colina. Conseguiu. Quis deixar de me ver por perto. Conseguiu. Arranjou um frangote e foi me deixando. Me mal dizendo como um aliciador dos mais cruéis. Injustiça menina, injustiça...

Que menina de Adrian Lyne: De nada me valia nem certo era aquela marca de Jeremy Irons que ela usou pra me manchar. Cacei-a. Fui ao centro de sua cabeça para reeditar quem eu realmente era. Buli, fustiguei, cavei e me atrevi... Ela chorou, eu chorei em retribuição e nunca mais nos prestamos aos prazeres mais importantes.

Saí de dentro de Tízia com um corpo de Fanta e cara de Tamanduá
Minhas mulheres não me têm por mal...



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Um comentário:

Anônimo disse...

que menino de machado de assis

kkkkk