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Magda Eisenhardt foi a única mulher na minha vida que tinha sobrenome.
Não vivera o suficiente para ver os terríveis acometimentos de sua etnia, mas sempre fora quase loira estudiosa. Leu de expurgo e diáspora até campos de contração e câmaras de gás. Soube desde cedo do sofrimento de seus mais velhos. Sensível que era, sentiu as feridas escondidas deles. Nunca quis ser uma “praticante”, mas sabia que era uma “existente” .
Viajou para Israel aos 15. Conheceu uma guerra cheia de silêncios assustadores nas esquinas. Menina nova andava como se imortal fosse. Frequentou colégios, pessoas, danceterias e só não foi a inferninhos por culpa dos meninos machistas do intercâmbio. Magda voltou para o Brasil um ano mais velha e eufórica como ficava a cada viagem. Pensou como lhe interessava fazer de sua vida um delicioso roteiro. Decidiu fazer cinema.
Tinha uma reprimida vontade de ser atriz, angústia que perdeu em uma de suas viagens., quando conheceu Mercedes, uma cantora Espanhola que disse ter amaldiçoado todas as atrizes do mundo, tudo por que uma atriz francesa havia roubado o amor de sua vida. Era tanto ódio nos olhos e nas ventas de Mercedes, que Magda não quis arriscar. Na volta desistiu definitivamente de ser atriz e resolveu fazer cinema...
De novo?
Na Austrália conheceu Paul Hogan, o ator que interpretara o famoso caçador de crocodilos, Crocodilo Dundee. Ele pagou uma bebida a ela num pub bem arrumado. Passaram a noite sob as milhares de estrelas do deserto e fizeram amor. Magda nem mesmo gozou. Ficou muito triste por Paul não ter lhe levado para ver um Set de filmagens. Acordou na manhã seguinte e pegou um avião de volta para o Brasil. Decidiu, de uma vez por todas, que faria cinema.
Ingressou na faculdade e foram 2 anos sem viver a vida que sonhara.
Roteiros, muito poucos.
Filmes, muito menos que novos amigos, tão perdidos quanto ela.
Soluços, quase nenhuns.
Do alto de sua cobertura na Barra, gritou para quem quisesse ouvir que queria morar na Argentina. Sua avó teve um piripaque, sua mãe, psiquiatra, fingiu compreender e eu a chamei de ingênua, demasiada humana. Discutimos, como sempre fizemos, saímos sem mútuo convencimento, como sempre acontecia. Sempre gostei muito de Magda, inteligente, sensível, carinhosa, quase loira. Dei um abraço demorado nela, disse que sentiria saudades e sai antes que o Rabino que esperava na sala me acusasse como “Inglorious Gói”.
Amanhã, Magda Eisenhardt estará embarcando para a Argentina e choverá CINEMA.
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3 comentários:
Será que choverá mesmo???
dito
(e feito).
bora, rapáz, produzir...
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