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Violeta eu conheci numa festa de Largo.
Bandeirolas, bebidas quentes que derrubam em dois goles sob olhar de vendedor mofina.
Pretos de todos os tipos. homens de cor como eu, um preto com leite, nojento de misturado. Como daqueles cafés que não acorda ninguém e se você for viajar, não pode tomar pra não passar mal. homens de cor como jaslin, preto tão preto que quando vestia branco era confundido com a morte. Vivia no pelourinho, dado a galinhagens com mulheres brancas mezo rosa, mezo amarelo, cor de laranja lima.
Perdão, tenho tanta raiva de Violeta que desvirtuo do politicamente correto, tanto ódio que minha vontade é blasfemar contra todos os panteões da Grécia até a África. Respiro fundo.
Um amigo meu iria cantar naquela festa. Iria também levar as garotas para trás do palco quando acabasse o show. Iria também me pagar um refrigerante. Um bom amigo, sem dúvidas. No meio do caminho desses planos passou Violeta fumando. Não pude contar nem sete nem oito, a beijei e beijei muito mais. Jamais havia beijado uma fumante. O prazer foi absurdo. Tinha uma mistura perfeita naquilo tudo. O cigarro com o pecado daquela boca que certamente já havia chupado muitos pirulitos. E por mais preta que fosse Violeta, seus lábios eram de uma apatia miserável. Implorando por um pouco de vida. Ofereci-me ao sacrifico, sem arrependimentos imediatos. Aproveitei o refrigerante que meu bom amigo me pagou para presentear Violeta. Mulher dos infernos...
Depois daquela festa fiquei dois dias sem ver Violeta. Numa quarta convidou meu bom amigo para um passeio e visita a amigos clandestinos. Caminhávamos pelos guetos carregando pequenas pistolas nas cinturas e capacetes. Se fôssemos emboscados para nada serviriam aqueles papéis grossos em nossas cabeças, é verdade. Mas a sensação de segurança era mais importante que a mesma. Passamos por Chopinguim, maicoujequison, Falkirk, Camarões e na quinta tenda, Alevino chupando Violeta. Mulher rapina de uma puta.
Depois daquele infortúnio fiquei dois dias sem ver Violeta. Recebi uma ligação perdida numa tarde. A maligna me ligou queria me ver... Jurei pra mim mesmo que assim que aquele corpo preto e lábio apático estivessem na minha frente eu iria beliscar e morder até fazê-la pagar por sua traição. Violeta chegou dois minutos depois que eu vesti um quimono. Entrou, passou por mim, perguntou o que eu tinha preparado pra ela. Mulher Preta Ousada. Peguei no seu ombro direito e a virei, pronto para mostrar o que tinha guardado pra ela. Tirou-me do senso a surpresa de ver Violeta de batom. Ajoelhei-me frente a ela e chorei, chorei compulsivamente...
Ela, do alto de sua arrogância de mulher desembestada saiu sem me dizer uma palavra.
Hoje, Violeta é uma mulher casada com um homem azedo, sarara, tenente da Aeronáutica e morador do Rio de Janeiro. Eu jamais beijei uma mulher que fuma desde então.
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2 comentários:
Se fosse Preta Gil!...
vera verão
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