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Hoje senti tanta falta dela que mal pude mexer os membros inferiores.
Num esforço desmedido levantei e vivi um segundo após o outro.
Cada gota de suor no dia, cada espasmo de consciência, eram travestidos em micro espaços de tempo em que eu balbuciava pela sua presença. Calei minhas súplicas só para tomar um café. Fiz o mais amargo possível, bebi goles mínimos sem franzir testa ou mesmo apertar lábio. Continuei pela tarde até agora, perdidas horas da madrugada, tentando entender como é viver sem ela, re-acostumar à vida solitária. Por três momentos desse dia, tentou a vilã saudade apunhalar-me pelas costas. Descuidei é verdade, caí em tentação.
MOMENTO 1:
Não era dor o que sentia. Vivia nas primeiras horas da manhã uma agonia de não acordar com as pernas finas dela por cima de mim. Corri, peguei seu travesseiro, respirei fundo suas cores, suas lembranças e coloquei por cima de mim. Tragado por um leve sono, avistei-a passeando entre nuvens a me chamar para dar volta em cima de uma enorme tartaruga. Caminhamos lentos, sem precipitar o momento de chegar para cruzar linha vermelha de campeão. Foram muitas as lebres que zombavam de nossa letargia. Ela sorria e me pedia para não ligar...
Não liguei, não me importei, juro... Não me importei...
MOMENTO 2:
Lavei as roupas, os pratos, as sandálias, os pára-choques, as vidraças, as mágoas, parei pra descansar. Levantei pesado móvel, troquei a vida de lugar, achei teu álbum de fotos. Folheei um por um, foto por foto, imagem mais digna de aplauso que a outra. Vestida para festa, completando anos, trajes de banho, sorriso verde esperança, poses amarelas vergonha. recordei cada corte de cabelo, cada pedaço de nossos lugares, de nosso mundo. Terminei de roubar os sentimentos daqueles “frames” e sucumbi dentro de meu cansaço. Sem permitir este zelo por mim levantei de cabeça erguida... Não me importava, não devia, não devia...
MOMENTO 3:
Sentei e apertei forte o botão do controle. Teimou a Tv em não ligar. Teimou você a me gritar, dentro de mim.
“Troca as pilhas, troca as pilhas, teimoso”.
Cala-te tu, mulher controladora. Teimoso sou pelos meus signos e ascendentes que desconheço. Insana é de continuar a meu lado mesmo a tantos kilômetros de distantes. Mulher maluca a gritar de dentro de mim. Mulher minha tão longe que me dá nos nervos, tão doente que me faz enjoar. Não tens direito de me abandonar e mandar viver assim. Cala-te mulher manipuladora e vem me tomar. Vem me ter enquanto gritas, enquanto choro, enquanto podemos fazer. Joguemos nossos corpos fora e vamos nos amar sem nos importar com a prisão que é viver em três dimensões. Uma ova que vou morrer desse desejo. Uma ova que vou permitir que sumas uma vez mais.
Trotei para dentro de mim, peguei minha mulher pelas ancas e fiz amor com ela dentro do banheiro, como se é devido.
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3 comentários:
Saudades...é phoda.
punhetinha
lindo. Vc escreve bem, Seu Expinho.
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